segunda-feira, setembro 13

Nada não foi nada

Uma tarde diferente de um dia sem Sol e ela já não sabia mais o que poderia esperar. Olhou para algum ponto e cismou que queria fazer dele algo fixo. Olhou para si de fora pra dentro. Apenas olhou. E, como em uma linda história sem final feliz onde o vilão sai com a vitória nas mãos, ela entendeu que as coisas são como deveriam ser e sentiu-se até trêmula quando não mais pensou em problemas, apenas em soluções. A respiração era outra, talvez o coração também, mas ele estaria ocupado no futuro com coisas mais complexas do que meros impasses.
Depois que o ponto fixo perdeu a graça de ser o que era, ela continuou caminhando olhando pra baixo, como se precisasse apenas dos pés para seguir em frente, até que deparou-se com uma sombra. A sombra então, mais uns três passos adiante, ganhou a compania de um corpo. O corpo, por fim, ganhou trejeitos de um homem. Ela transferiu o olhar para o alto e diminuiu os passos, numa tentativa frustrada de não ser notada. Já era tarde: o dono da sombra apagada no chão já tinha visto aqueles passos temerosos. Contudo, devo dizer que ele não sentiu medo nem vontade de amedrontar. Já ela, se viu numa triste e confusa situação onde não sabia o que poderia fazer, além de cumprimentar o tal homem. Se ela já o conhecia? Sim, de antigos carnavais, passados em outras épocas onde o carnaval nem era o que é, provavelmente. Se ele entendeu isso? Vamos supor que sim, mas como se tudo ainda não estivesse claro na cabeça daquele indivíduo aleatório na historia, tão provavelmente quanto as épocas.
Após o cumprimento, trocaram olhares corriqueiros, como trocam duas pessoas que convivem sob o mesmo teto por conveniência. Assim, quando isso cessou e as coisas ficaram confusas para ambos, ela virou-se, passou as mãos nas maçãs do rosto e desejou existir algo que refletisse sua imagem, nem que fosse uma mera poça de água feita pela chuva dos dias anteriores. Não achou o que refletisse sua imagem, mas a viu através daquele homem, que estava tão apreensivo quanto ela.
Ainda sem palavras, algo aconteceu. Foi um toque, eu diria. Um suave toque de uma mão trêmula com uma outra mão serena. Não cabe a mim relacionar mãos aos donos, cabe a mim dizer o que se passou: nada. Aquele toque, aquela sedução, aquela magia nada significou. E isso espantou a ambos, visto que havia certa expectativa naquele gesto. Sem cogitar justificativa melhor, ela pensou que não sentiu nada porque não deveria sentir, enquanto ele nem pensou e apenas sentiu o nada que aquilo tudo passou. Mesmo com a decepção, veio um convite de continuar a caminhada e falar sobre os dias, não os que passaram, mas os que viriam. Ela sorriu quando ele falou algo sobre flores, decerto isso foi nostálgico. Ele continuou a falar, mas ainda estava intrigado com o tal "nada" de minutos antes.
Cruzaram um bosque, cruzaram uma estrada. Cruzaram uma cidade? Seria justo dizer que não, mas eu não faço idéia de onde eles poderiam ir. Em um breve momento, ela suspirou e tentou um outro toque de mãos, mas isso foi falho, visto que o rapaz estava segurando algo nas mãos. Sei que a pergunta que cabe gira em torno de saber o que ele segurava, mas eu não posso contar, não posso revelar segredos alheios. Então, voltemos aos dois, sem preocupações com um terceiro elemento, até porque o tal anulou-se quando ela, sem medo ou preocupação, tentou um novo toque para ver o que iria sentir. Dessa vez sentiu algo, de leve, delicadamente assustador. Não foi amor, não foi gentileza, não foi bondade, não foi afetuosidade. Sentiu algo que não conseguiu definir, mas isso a deixou feliz. E ele? O que sentiu? Bom, eu poderia dizer que ele sentiu o mesmo, mas isso não ficou claro. Tudo o que posso dizer é que ele sorriu quando a viu tentando.

segunda-feira, setembro 13

Nada não foi nada

Uma tarde diferente de um dia sem Sol e ela já não sabia mais o que poderia esperar. Olhou para algum ponto e cismou que queria fazer dele algo fixo. Olhou para si de fora pra dentro. Apenas olhou. E, como em uma linda história sem final feliz onde o vilão sai com a vitória nas mãos, ela entendeu que as coisas são como deveriam ser e sentiu-se até trêmula quando não mais pensou em problemas, apenas em soluções. A respiração era outra, talvez o coração também, mas ele estaria ocupado no futuro com coisas mais complexas do que meros impasses.
Depois que o ponto fixo perdeu a graça de ser o que era, ela continuou caminhando olhando pra baixo, como se precisasse apenas dos pés para seguir em frente, até que deparou-se com uma sombra. A sombra então, mais uns três passos adiante, ganhou a compania de um corpo. O corpo, por fim, ganhou trejeitos de um homem. Ela transferiu o olhar para o alto e diminuiu os passos, numa tentativa frustrada de não ser notada. Já era tarde: o dono da sombra apagada no chão já tinha visto aqueles passos temerosos. Contudo, devo dizer que ele não sentiu medo nem vontade de amedrontar. Já ela, se viu numa triste e confusa situação onde não sabia o que poderia fazer, além de cumprimentar o tal homem. Se ela já o conhecia? Sim, de antigos carnavais, passados em outras épocas onde o carnaval nem era o que é, provavelmente. Se ele entendeu isso? Vamos supor que sim, mas como se tudo ainda não estivesse claro na cabeça daquele indivíduo aleatório na historia, tão provavelmente quanto as épocas.
Após o cumprimento, trocaram olhares corriqueiros, como trocam duas pessoas que convivem sob o mesmo teto por conveniência. Assim, quando isso cessou e as coisas ficaram confusas para ambos, ela virou-se, passou as mãos nas maçãs do rosto e desejou existir algo que refletisse sua imagem, nem que fosse uma mera poça de água feita pela chuva dos dias anteriores. Não achou o que refletisse sua imagem, mas a viu através daquele homem, que estava tão apreensivo quanto ela.
Ainda sem palavras, algo aconteceu. Foi um toque, eu diria. Um suave toque de uma mão trêmula com uma outra mão serena. Não cabe a mim relacionar mãos aos donos, cabe a mim dizer o que se passou: nada. Aquele toque, aquela sedução, aquela magia nada significou. E isso espantou a ambos, visto que havia certa expectativa naquele gesto. Sem cogitar justificativa melhor, ela pensou que não sentiu nada porque não deveria sentir, enquanto ele nem pensou e apenas sentiu o nada que aquilo tudo passou. Mesmo com a decepção, veio um convite de continuar a caminhada e falar sobre os dias, não os que passaram, mas os que viriam. Ela sorriu quando ele falou algo sobre flores, decerto isso foi nostálgico. Ele continuou a falar, mas ainda estava intrigado com o tal "nada" de minutos antes.
Cruzaram um bosque, cruzaram uma estrada. Cruzaram uma cidade? Seria justo dizer que não, mas eu não faço idéia de onde eles poderiam ir. Em um breve momento, ela suspirou e tentou um outro toque de mãos, mas isso foi falho, visto que o rapaz estava segurando algo nas mãos. Sei que a pergunta que cabe gira em torno de saber o que ele segurava, mas eu não posso contar, não posso revelar segredos alheios. Então, voltemos aos dois, sem preocupações com um terceiro elemento, até porque o tal anulou-se quando ela, sem medo ou preocupação, tentou um novo toque para ver o que iria sentir. Dessa vez sentiu algo, de leve, delicadamente assustador. Não foi amor, não foi gentileza, não foi bondade, não foi afetuosidade. Sentiu algo que não conseguiu definir, mas isso a deixou feliz. E ele? O que sentiu? Bom, eu poderia dizer que ele sentiu o mesmo, mas isso não ficou claro. Tudo o que posso dizer é que ele sorriu quando a viu tentando.