domingo, dezembro 5

Confusão.

Talvez seja apenas por diversão, amor e compulsividade, mas a verdade é que a vida, quando se torna a mesma todos os dias, faz de mim uma pessoa inquieta, cansativa. Preciso mudar os detalhes, e preciso também de uma agenda. Essa semana, conversando com um amigo sobre essas pequenas grandes coisas que estão me atormentando, compartilhei com ele a minha decisão firme de comprar uma agenda para o novo ano, o esperado 2011. Além disso, também virei adepta de listas, para ver se assim eu consigo completar etapas sem pular provas.
Confesso, quase que forçadamente, que pensei no passado, naquela faculdade que deixei para trás, naqueles amigos com quem não falo mais, naqueles feriados que passava sentada com o traseiro na cadeira. Algumas situações, como disse, me forçaram a isso. Não adianta, sempre que algo não te satisfaz por completo, você começa uma retrospectiva mental sobre seus melhores e piores momentos, procurando certo consolo naquilo que não mais é possível ser contestado.
Pensei, recordei, ri, resmunguei e voltei aos planos, esses corvos em forma de intenções. Bom, até que os planejamentos para os próximos dias são mais "reais" do que outros que já tenha feito, mas nada que me faça sorrir de orelha a orelha, ainda. Como o mesmo amigo que vai adotar o uso da agenda pra 2011 também disse, eu estou desestimulada. E, digo logo que isso não
é culpa dos "relacionamentos falidos", não é culpa dos corações que parti e/ou consertei e não é culpa das escolhas que tomei. Na verdade, a palavra que cabe nem é culpa (esse vocábulo me persegue, inclusive). A palavra certa é responsabilidade. E, não só a palavra como a ordem.
De uma forma bem estranha, eu perdi um pouco do rumo que deveria ter tomado e agora estou passando por um momento complicado, onde a minha cabeça não consegue se entender comigo (sim, são elementos diferentes). E, apesar de ser uma adulta, tudo que eu faço remete à minha adolescência, simplesmente porque eu me tornei uma pessoa compulsiva por diversão, esquecendo de uma série de coisas que estão na frente dela.

E o que resta, agora? Arrumar a casa antes que eu seja despejada por falta de pagamento.

segunda-feira, outubro 25

A selva

E então, como quem não queria nada, adentrei pela selva que destoava do brilho em meu olhar. Entrei por entrar, verdade seja dita. Meu pé esquerdo queria abrir mão daquele ambiente, enquanto o direito queria ficar, queria dar um largo passo. Mas, como disse, entrei por entrar.
As primeiras impressões foram embaladas por um som peculiar, talvez gritos, mas não lembro bem. Também despontou nos primeiros segundos um calor proveniente do clima árido, até que o mesmo deixou meus pés queimando, sem misérias. Tratei de correr para salvar o meu calço e o tempo já não cabia mais em soluções: queimei os pés. O esquerdo e o direito. O que desejava ir embora e o que desejava ficar. Com pés debilitados, a imparcialidade tomou conta do meu ser e eu fui guiada pela vontade de explorar e conhecer algo novo, diferente.
Tinha julgado tudo de forma abstrata, até que aquele lugar assentou-se na minha mente. Já não tinha medo de feras, já não me preocupava em me perder no caminho de volta, já não havia em mim um pingo sequer de racionalidade. Agi por instinto e desbravei a selva. Foi heróico de minha parte? Sim, bastante. O que não cabia na situação era o depois, era o "pós-selva". Não cabia e não cabe até agora.
Do que falo? Falo do esgotamento em enfrentar tais animais e precisar superar sufocos, como por exemplo um abismo de profundidade assustadora. Falo do desespero latente de notar-se tão pequena no meio de uma imensidão de mata virgem. Falo do desconforto que senti ao perceber que me achei no direito de invadir um lugar que não é meu, apenas com a intenção de saber como seria. Pouco depois, constatei: a curiosidade me levou onde eu queria e me traria novamente pro meu canto, meu refúgio.
Ficou claro para mim que não há paixão no instinto. Tudo que eu conheci naquele lugar tão verde transformou-se em cinza. Cinza esse que, agora sim, estava combinando com o brilho nos meus olhos, cansados de ver miragens. Olhando pra dentro, vi paixão em algo além de uma bela paisagem. E assim, mesmo que ainda seja apenas outro lugar para onde não fui levada, vi paixão no que realmente serve pra mim.

domingo, outubro 3

Quero meus pés na lama.

De vez em quando, sem me preocupar com o quanto, eu deveria encher a minha alma de amor. Não é algo que eu queira, apenas que eu precise, teoricamente. Não também que ele seja ausente, mas ainda sinto isso de uma forma muito diferente do que vejo por aí. As coisas estão normais, as pessoas sempre foram normais e as ruas são a única expressão de peculiaridade, talvez. Quando não saio da minha torre feita de agonia, transfiro tal sentimento para mim, para que meus poros fiquem entupidos com tanto desespero em forma de cansaço cotidiano. Dessa forma, eu faço dos cantos e dos tijolos o meu refúgio. Copos e líquidos também ajudam na tentativa de buscar um outro mundo, um outro lugar, um outro refúgio. São como um punhado de terra molhada onde eu enfio os pés e sinto o barro passar por entre os dedos. É algo que eu gosto de ver dentro de mim. É a minha alternativa plausível para não ter que dar o braço a torcer. Para quem? Para a estagnação que o mundo vende a preço de banana. Na contramão do que não presta, as músicas me dizem aquilo que eu preciso ouvir, de um jeito que a vida consegue apenas gritar. Eu odeio gritos, prefiro a sutileza de palavras ditas ao pé do ouvido. Há mensagens, sei disso, mas o entendimento acerca delas depende da forma como elas chegam até meus neurônios, isso é se eles são o destino propriamente dito. De repente, eu viajo demais, pode até ser. Mas, ainda acredito que essas coisas em série com as quais me deparo são pouco para mim e não sou tão estúpida para me contentar com pouco, mais uma vez.

segunda-feira, setembro 13

Nada não foi nada

Uma tarde diferente de um dia sem Sol e ela já não sabia mais o que poderia esperar. Olhou para algum ponto e cismou que queria fazer dele algo fixo. Olhou para si de fora pra dentro. Apenas olhou. E, como em uma linda história sem final feliz onde o vilão sai com a vitória nas mãos, ela entendeu que as coisas são como deveriam ser e sentiu-se até trêmula quando não mais pensou em problemas, apenas em soluções. A respiração era outra, talvez o coração também, mas ele estaria ocupado no futuro com coisas mais complexas do que meros impasses.
Depois que o ponto fixo perdeu a graça de ser o que era, ela continuou caminhando olhando pra baixo, como se precisasse apenas dos pés para seguir em frente, até que deparou-se com uma sombra. A sombra então, mais uns três passos adiante, ganhou a compania de um corpo. O corpo, por fim, ganhou trejeitos de um homem. Ela transferiu o olhar para o alto e diminuiu os passos, numa tentativa frustrada de não ser notada. Já era tarde: o dono da sombra apagada no chão já tinha visto aqueles passos temerosos. Contudo, devo dizer que ele não sentiu medo nem vontade de amedrontar. Já ela, se viu numa triste e confusa situação onde não sabia o que poderia fazer, além de cumprimentar o tal homem. Se ela já o conhecia? Sim, de antigos carnavais, passados em outras épocas onde o carnaval nem era o que é, provavelmente. Se ele entendeu isso? Vamos supor que sim, mas como se tudo ainda não estivesse claro na cabeça daquele indivíduo aleatório na historia, tão provavelmente quanto as épocas.
Após o cumprimento, trocaram olhares corriqueiros, como trocam duas pessoas que convivem sob o mesmo teto por conveniência. Assim, quando isso cessou e as coisas ficaram confusas para ambos, ela virou-se, passou as mãos nas maçãs do rosto e desejou existir algo que refletisse sua imagem, nem que fosse uma mera poça de água feita pela chuva dos dias anteriores. Não achou o que refletisse sua imagem, mas a viu através daquele homem, que estava tão apreensivo quanto ela.
Ainda sem palavras, algo aconteceu. Foi um toque, eu diria. Um suave toque de uma mão trêmula com uma outra mão serena. Não cabe a mim relacionar mãos aos donos, cabe a mim dizer o que se passou: nada. Aquele toque, aquela sedução, aquela magia nada significou. E isso espantou a ambos, visto que havia certa expectativa naquele gesto. Sem cogitar justificativa melhor, ela pensou que não sentiu nada porque não deveria sentir, enquanto ele nem pensou e apenas sentiu o nada que aquilo tudo passou. Mesmo com a decepção, veio um convite de continuar a caminhada e falar sobre os dias, não os que passaram, mas os que viriam. Ela sorriu quando ele falou algo sobre flores, decerto isso foi nostálgico. Ele continuou a falar, mas ainda estava intrigado com o tal "nada" de minutos antes.
Cruzaram um bosque, cruzaram uma estrada. Cruzaram uma cidade? Seria justo dizer que não, mas eu não faço idéia de onde eles poderiam ir. Em um breve momento, ela suspirou e tentou um outro toque de mãos, mas isso foi falho, visto que o rapaz estava segurando algo nas mãos. Sei que a pergunta que cabe gira em torno de saber o que ele segurava, mas eu não posso contar, não posso revelar segredos alheios. Então, voltemos aos dois, sem preocupações com um terceiro elemento, até porque o tal anulou-se quando ela, sem medo ou preocupação, tentou um novo toque para ver o que iria sentir. Dessa vez sentiu algo, de leve, delicadamente assustador. Não foi amor, não foi gentileza, não foi bondade, não foi afetuosidade. Sentiu algo que não conseguiu definir, mas isso a deixou feliz. E ele? O que sentiu? Bom, eu poderia dizer que ele sentiu o mesmo, mas isso não ficou claro. Tudo o que posso dizer é que ele sorriu quando a viu tentando.

segunda-feira, agosto 9

Análise- Pt 1.

Não é estranho constatar que vivo um impasse entre normais olhos castanhos e exóticos olhos roxos. Não entendeu? Não precisa, já tudo vai além de entendimento. O que cabe agora é saber para onde eu quero ir e para onde estou indo? Não, o que cabe agora é ir além do saber, além da informação absorvida. É pegar esse saber e jogar nos dias, na vida, no maldito cotidiano. O problema, grande problema é que, negar algo para alguém sempre foi muito dificil para minha cabeça que é solícita demais, prestativa demais, atenciosa demais. Tudo que é demais torna-se excedente. Isso está sobrando, não há dúvidas sobre. E, tampouco há certezas. Juro que não consigo encontrar essas danadas! É como se as tais certezas passassem por entre meus dedos e depois se perdessem em meio ao vento.
E, falando em vento, eu vou deixar que ele leve todo o lixo que dias passados me trouxeram. Tive ajudas importantes, de umas duas pessoas importantes, quase três, eu diria. Mas, acho mais justo considerar a primeira informação. Enfim, por conta desses "complementos", me encontro num ótimo estado emocional e bem mais centrada nos meus problemas, minhas "maçãs". Só que isso não tira de dentro de mim o demônio que clama por intensidade e maldade. Estou ruim e sinto isso, sei lá como.
Bom, e não procuro por absolutamente nada, apenas as coisas vão me achando, aos poucos. Talvez eu também esteja viabilizando os encontros tanto quanto viabilizo os desencontros, mas eu não queria pensar nisso agora. É bem mais interessante confabular com a minha cabeça e, ás vezes, com pessoas inteligentes, sobre os desapegos e apegos da vida- "confusões", talvez seja a palavra.
Eu deixei uma porta encostada que alguém vai empurrar, cedo ou tarde. Todos os dias essa porta chama minha atenção, todos os dias ela me convida a ser o que eu preciso ser, ignorando a necessidade aparente de que alguém precisa empurrá-la. Apenas saber que tal empurro acontecerá já está de bom tamanho. No mais, é engraçado: estou vivendo do jeito que eu queria ou do jeito que devo? Bom, não sei se quero a resposta para isso agora.

E há uma lista enorme de coisas que os dias ainda não providenciaram, enquanto há outra, tão grande quanto, de coisas das quais eu já não preciso me aproximar pra saber como são. Está tudo muito claro ou, pelo menos alguma coisa, está.

sábado, julho 24

Maçã;

Não é lá tão complicado: Imagino aquela coisa bem vermelha, com pequeninos pontos destoando da principal cor, enquanto apenas um filete a sustenta lá no alto, no alto da árvore, aquela árvore. Penso sempre: Até onde meus braços vão? O que me impede de alcançá-la? Em que implica chegar até ela? O que vai acontecer caso eu não a alcance? Maldita...! Por um momento chego a odiá-la. Por outro momento chego a desejá-la. Pela eternidade chego a te inviabilizar pra mim. Digo, mais uma vez: Maldita, é isso que você é!
Até então você não mais me incomoda, apenas me atenta, invade a minha paz e toma o espaço do meu sossego. Mas, ainda assim, penso em chegar até você. É um inferno- eu juro que é- olhar lá para o alto e me ver tão pequena, tão frágil, tão incapaz de simplesmente ir sem pensar em como vou tirar os pés do descanso. Não queria ser assim e alguma Força Maior deve saber disso. Mas, é assim que sou. Vejo algo além do seu rubro, vejo ambição em você. Vejo mais do que poderia ver, vejo mais do que sei ver: Vejo a minha mão, vejo o seu brilho nos meus olhos. Vejo tudo e ao mesmo tempo nada... Não dá! Eu não te alcanço.
E então, o que eu faço? Escolho outra coisa a fazer? Desisto de ti por não saber mais o que diabos eu quero de você? Não sei... Confesso que desanimo em momentos de reflexão e me animo quando cogito deixar tudo pra lá. Mesmo assim, a melhor alternativa é a mais notória possível: Tal qual um arquiteto quando que está por planejar uma casa, estarei eu a planejar como chegar até você. Mas, só planejar não é o caminho, já sei disso... Raios! Falei como apenas saber bastasse para alguma coisa... Não é por aí... E, também não é por aqui! Não é?
Pois é, sempre fui refém da diversidade, das alternativas. Me sinto uma eterna apaixonada pelo livre arbítrio, já que ele me permite pensar além do "sim" e do "não". O problema é que esse romance não me deixa ir adiante. É um amor proibido entre uma pessoa diferente e uma cabeça diferente. Mas, o que importa o "adiante", se ambos querem a mesma coisa? Geralmente dois amantes conseguem querer, pelo menos, alguma coisa em comum. E esses dois amantes querem a maçã. Pena que não sabem trabalhar juntos em prol de tal relíquia, preciosidade.
Ah, maçãs! Karmas da minha vida, confusões que minha própria cabeça insana cria quando não aguenta mais viver entediada com a normalidade. Gosto dos meus problemas, gosto das minhas maçãs, gosto dos riscos. Não entendo então por qual motivo me coloco tanto a pensar, refletir, ponderar. Seria mais justo não ser assim? Ou então, o que seria, de fato, justo? Convencer a mim mesma de que não preciso sistematizar tudo? E eu sei que a maçã está bem perto de mim, dá até pra sentir o gosto dela num sonho bom, mas eu não sei o que virá depois. Me apavora pensar que uma atitude, uma maçã caída da árvore, pode custar algo bem maior do que minha fome. Entro em pânico a cada vez que sinto passar por entre meus nervos tudo que poderia acontecer, uma vez que eu conseguisse chegar até ela. Me recuso a considerar que um dia vou conseguir pegá-la, seria prepotência demais da minha parte. Então, deixa tudo como está: eu fico a te olhar estrategicamente, como se você fosse o que há de mais diferente, indo além de um mero problema que os dias me trouxeram . Não, não sei chegar até você, não sei te consumir, não sei te dividir por dentro de mim. : Apenas sei que você está ali e eu estou aqui.

terça-feira, julho 6

Não quero!

E não quero mesmo!

Como já andei dizendo no desabafo "tweetítico" (sim, inventei esse vocábulo agora), não é por falta de respeito ou credibilidade na crença em si e tudo que ela envolve, mas eu não considero interessante já há algum tempo ficar sabendo de várias coisas por outras vias, outros caminhos. Por vários momentos na minha vida eu fiquei ciente de coisas e nem por isso fui poupada de vivê-las. Pensei que isso fosse culpa minha, das minhas escolhas. Pensei certo, em partes. Não posso atribuir a mim mesma tudo de ruim que eu passei, sendo que eu não quis tais coisas. Não seria justo com a minha vontade sempre latente de ser feliz. Não seria justo nem mesmo com quem quer me fazer feliz, não importando quem seja, somente a intenção de tais pessoas.

Quando fico sabendo dessas coisas eu sinto como se não tivesse nenhum controle sobre a minha própria vida e tudo não passasse de um filme que alguém já rodou. Isso me deixa sob uma ira sem igual. Eu não quero, outra porra de vez, saber de coisas das quais o melhor seria exatamente não saber nada, absolutamente nada. Tudo deve ficar por conta dos dias, da minha percepção, da minha vivência. Nada de "avisos prévios" em forma de alerta. Em 22 anos repletos de fiascos, de boas e más experiências, creio eu que já sei direcionar minha vida de forma prática e eficaz pra mim. PRA MIM.

Entendo hoje que viver pelos outros não deve ser levado ao extremo como eu sempre levei. Senti bem mais falta de mim do que de qualquer outra pessoa. Hoje que estou me reencontrando, hoje que me reconheço dentro do que estou sendo, seria o fim da picada precisar considerar situações que o outro me aponta como se tivesse vivido tudo que vivi. Não, ninguém passou por sequer 1% do que eu já passei. Saber o que passei é vago, MUITO vago. Qualquer um precisaria bem mais do que saber para, de fato, fazer com que eu me sentisse cômoda ao falar dos meus rumos, do que ando fazendo da minha vida ou, pior, do que será da minha vida. Assim, me sinto outra coisa: me sinto INCOMODADA.

Me privar de todo o lixo pelo qual tive que passar ninguém me privou, oras! Entendo que até precisei passar por algumas coisas, mas outras foram totalmente desnecessárias e todo mundo sabe disso. No final das contas é necessário apenas que as coisas parem de ser como estão sendo. Eu não preciso de esclarecimentos sobre o futuro, nem sobre o presente e muito menos, MUITO MENOS sobre o passado. O que é extremamente necessário é que eu consiga, como qualquer ser humano consegue, passar pelos dias sem saber o que virá pela frente. Gosto de correr riscos, gosto de não fazer idéia de como vai ser a minha tarde, gosto da sensação que o final de semana me traz sem maiores exigências, gosto de levar um tombo na rua de forma inesperada, gosto de falar besteiras sem ter nada pré- conceituado em mente. Gosto de ser normal, de ter uma vida normal, de fazer coisas normais. O extraordinário deixou de ser sedutor pra mim e se tornou um tormento. Contudo, a partir de hoje, é um tormento com dias contados, assim espero e assim confio.

quarta-feira, junho 30

O caminho.

Não esperava nada diferente de mim, mas foi o que veio. A sensação era de que não havia mais utilidade em tentar. A sensação não era uma simples sensação. E há coisas que mexem comigo mais do que eu imaginava. Não me espanta a ignorância alheia, não me apavora a frieza do homem, não me encanta o comum. O que realmente dá enfase aos meus dias é o que eu não espero, é o que surge abruptamente.
Hoje mesmo conversava com alguém sobre as coisas que aconteceram e acontecem ao meu redor: fiz comparações. Nada está tão embaçado como já esteve em outras épocas. Me peguei rindo sozinha da vida, do acaso, do passado. Começo a pensar, confabular com minha própria cabeça sobre quase tudo que chama minha atenção. Sou privilegiada? Talvez seja algo além disso, totalmente fora do maldito meio-termo. Não há mais meias-verdades nos dias, não há mais situações pendentes, não há mais linhas infinitas. Tudo que existe é a ação, é o verbo na sua forma mais completa e refinada.
Tudo é diferente: as músicas me soam melhor, os dias são mais agradáveis, as coisas são mais tangíveis e a minha cabeça é uma só. Volto a me socializar e até a passar por situações patéticas que já passei outrora. A comida desce sem dificuldade, isso também é bem interessante. Assim como o meu corpo já sente os efeitos de uma vida mais tranquila, apesar de ser sobrecarregada e agitada, totalmente ao contrário do que tinha planejado. É... anoto agora uma boa lição desse capítulo: Nunca planeje absolutamente nada e seja madura o bastante para encarar os dias sem a preocupação de idealizar as coisas. Lição anotada, lição aprendida.
...Me libertei! Deixei de ser aquele maldito vegetal fantasiado de Marcele que ficou por dias se alimentando de uma luz negra. Abandonei aquela faceta insuportável de quem tinha medo de tudo, mesmo quando o medo não era nada. Estou mais viva e fico muito feliz quando sinto o vento passar por entre meus dedos. Não deixaria que qualquer coisa passasse desapercebida agora. Não deixaria e não deixo. Mais do que nunca, eu observo. Talvez de tanto ver "House" acabei por treinar mais ainda essa minha aptidão. E talvez por ter passado por tanta coisa, resolvi ignorar os meus tropeços por ser uma pessoa bacana demais, já que eu nunca vou deixar de ser bacana e isso todo mundo sabe. Nem quando, por ventura, eu quiser.

segunda-feira, junho 7

Anagrama.

Bom, o Google me diz que:
Um anagrama (do grego ana = "voltar" ou "repetir" + graphein = "escrever") é uma espécie de jogo de palavras, resultando do rearranjo das letras de uma palavra ou frase para produzir outras palavras, utilizando todas as letras originais exatamente uma vez.

E a minha vida se tornou um Anagrama, não só de palavras mas também de gestos, cenas, ocasiões, fatos. Não me espanto, não me desespero: as coisas estão sendo como deveriam ser. Como disse mais cedo pra um amigo novo e um das antigas, é como se alguma força exterior tivesse conspirado a meu favor, a fim de me dar uma nova oportunidade, partindo de onde eu parei. Os principais pontos surgem na minha frente novamente, enquanto os menos importantes estão sendo aparados pelo tempo.
Não sei explicar ao certo o que houve comigo ou qual composto químico reagiu dentro de mim. Ás vezes, penso que tudo poderia ser diferente, mas sempre no sentido ruim da coisa. Aquilo que eu não consegui já não povoa a minha cabeça. A questão agora é o bendito anagrama. A questão agora são os vários sinais que recebo a todo tempo, mesmo quando não quero. A questão agora é, enquanto esse coração surrado bater, buscar o que mereço, juntando pedaço por pedaço de uma vida que se tornou uma charada.

segunda-feira, maio 24

Subentendido

Você não sabe o que é. Você talvez nem entenda o que seja. Mas, eu entendo. Entendo e vejo além do que alguém veria. Não tenho medo, não tenho coragem. Fico no meio termo? Talvez seja o meio-termo? Até que me provem o contrário, não há regras, não há padrão. Observar nunca foi tão fabuloso. Tenho um problema, encontro a solução. Mais fácil do que tirar o amargo da boca do homem. Se é prático, de onde surge o obstáculo? Da minha cabeça, eu diria. De pronto atendimento, de pleno passatempo. É o relógio da própria máquina a pulsar sem parar. Se eu posso, não sei. Se eu tento, tentei. Chega a hora marcada, o dia contado, a cena cortada. Videotape da sala de cinema privada. Mandaria rodar todos os filmes se preciso fosse. É audácia, é bobagem pensar nas coisas que são apenas coisas. Seria melhor viver sem isso. E se as mudanças pedissem passagem? O que você faria? Se desesperaria? Sorriria? Velha tentativa nova de ludibriar. Eu vou, eu fui, eu irei. Até onde posso, até onde queria, até onde vou. Não sabe? Não saberia? Não sabia? Não sei.

segunda-feira, maio 10

Não mais.

Estranhamente, eu não queria fazer isso. Não queria me dar ao trabalho de escrever sobre algo que, pra variar, aconteceu. A vontade surgiu com ares de conselho, vindo de um "sábio oráculo". E assim, apareceu, se instaurou e aqui estou eu, dando forma ao meu alívio ou boa parte dele.


Bom, foi como numa reprise de "Sessão da Tarde", onde você vira a cara ao ver que passará "A Lagoa Azul" e sempre comenta mentalmente e/ou oralmente : -Outra vez esse filme? A Globo não tem o que passar, não? ...Pois bem, dentro da situação, eu sou a Globo. Plin...plin. Enquanto alguns me recomendaram o habitual, que seria ignorar a situação, preparar-se para novas e seguir adiante, o "oráculo" ditou as regras de forma diferente: "Não dá pra superar nada guardando as coisas para si". Bom, faz sentido mas, é muito difícil entender as coisas quando tudo que você gostaria de fazer era voltar no tempo, nada mais. E, como não dá pra fazer isso, não dá para voltar no tempo e consertar tudo que eu mesma causei, então o jeito é encarar tudo de frente, sem medo de estar sendo egoísta demais, sem medo de recompor-se, não ao que era, mas ao que sempre quis ser. Esqueci, quase que completamente, das minhas ambições. Me preocupei bem mais com o outro do que comigo. Reciprocidade nisso? Nenhuma, mas isso é um detalhe. Até porque, uma vez retomada as idéias de antes, as velhas não mais retornarão á minha cabeça. Não é complicado lidar com o fracasso mas, na situação em questão, foi deveras necessário. Necessidade: palavra bonita, não?

Não escrevo como uma sanguinária em busca de vingança. Sou vingativa mas, nesse caso isso também está sendo diferente, o que é bem atípico. Escrevo como alguém que apesar de ser a personagem principal nessa tragédia grega, acredita que uma análise de caso é simplesmente formidável. E é o que estou fazendo, entre um devaneio e outro, entre um passo e outro, entre um lamento e outro, entre uma risada e outra. Claro que há coisas que não são passíveis de mudança mas, a maioria delas são, sempre foram. Mas, foi como falei, eu não quero lamentar absolutamente nada. Não será como das outras vezes, onde o meu desespero me dava impulso para persistir no erro. Acertar era tão simples, mas tão simples. Bem mais até do que errar, por mais humana que essa história seja. E é por saber disso que me mantenho tão centrada no momento, não importa o que eu esteja fazendo para o tal.

domingo, abril 25

Eu (des) espero

Não é fácil, nunca foi. Estou cansada, ninguém sabe o que passa dentro de mim, nem mesmo quem faz parte do que eu sou. De depressão ao tumor, já tive de tudo, só faltando um aspasmo definitivo. Mas, a força maior que rege todo mundo ainda acha conveniente me deixar por aqui mais um tempinho. O problema é que, ás vezes, a minha vontade é ir contra isso. Ir contra forças, ou até mesmo contra vontades. Outras vontades. Só outras.
Pensei em tanta coisa nas últimas 24 horas. Há tanta podridão na minha cabeça, tanta sujeira. Não me sinto bem com isso, é claro. Porém, como limpar um local de acesso tão difícil como minha cabeça? Como ignorar o quanto é confusa essa "caixa" composta por crânio, cérebro, nervos e glândulas e que não sabe ao certo o que seguir, o que buscar? Ou será que o problema é mesmo a pobre da minha cabeça ao invés do meu sofrido coração?
Oras, coração é só um órgão que pulsa sangue, está comprovado cientificamente que o emocional está ligado ao sistema nervoso, não a ele. Logo, não há motivo pra envolver o coração nisso, a verdade é essa. Só que, algo fica no ar: se ele não tem nada a ver com isso, porque meu peito dói?
Vai saber...
Pois é, saber é uma palavra que pouco se encaixa à minha realidade. Não me sinto tão sábia como já me senti em outras épocas, não me sinto fabulosa, não me sinto. Me sinto sensível, fragilizada e, principalmente, uma carrasca. E por quê o "carrasca" entrou no meio? Porque não sei abrir mão do desejo de um "happy end", mesmo sabendo que há tanta gente descontente no meio da história. Não sei deixar falar mais alto a racionalidade, mesmo que já tenha tentado. Não sei considerar as soluções que vão me deixar na merda mas, são as corretas. Não sei perder para outros ganharem. Não sei, dessa vez.
E, pra isso sim, há culpados: minha esperança, meus sonhos e o meu amor. Principalmente o meu amor. Essa minha capacidade absurda, que beira o admirável, de cativar as pessoas de tal forma que sobra pouco para meu lado racional. Quando amo, esqueço da tirana que posso ser. Esqueço da vida fútil ao meu redor. Esqueço da idade que tenho e das coisas que poderia viver. Esqueço do que meu corpo precisa. Esqueço das minhas limitações. Esqueço do que os dias me apresentam. Esqueço do óbvio, parto para o improvável.
Não, eu não me arrependo e o único medo não é de recuar e sim de avançar para recuar novamente. Sei que não tenho tudo sob controle, a começar por uma vida totalmente feliz mas, não sou infeliz. Os infelizes não se preocupam com a ausência de felicidade em suas vidas, somente com a ausência de felicidade na vida alheia. Contudo, não posso negar que, ás vezes, me sinto covarde em meio a eles, aos infelizes. Me desesperam em atitudes e palavras mas, ainda não me fizeram correr, não me fizeram parar de esperar. Esperar mais.

segunda-feira, março 22

Fórmulas

Seria bom se as fórmulas não se resumissem à perfume, sabão em pó, xampu, tecnologia e por aí vai. A vida podia ter fórmulas, não no sentido figurado mas no sentido real. Fórmulas de verdade e que aplicadas ás situações, surtiriam o efeito que a gente desejasse no momento. Como pensei nisso? Hoje, tomando banho, estava lendo o rótulo do condicionador e li sobre isso de fórmula. Aí me dei conta de que, quase tudo nessa vida vem pautado nas tais fórmulas. Fiquei pensativa, depois cantei uma música qualquer e, por fim, me emputeci com a idéia de que há fórmula pra tudo, menos para a solução dos meus problemas.
Seria tão prático, seria lindo, seria tudo! Não ia precisar mais buscar soluções ao mesmo tempo em que travo uma batalha fodida com os meus limites. Não seria mais necessário entrar em desespero, era só usar a fórmula e pronto, fim de papo. Fórmula pra amenizar dor de cabeça no lugar do remédio, fórmula pra amenizar sofrimento no lugar da punição, fórmula para amenizar a culpa no lugar da dor, fórmula para acabar com aquele sentimento de solidão no lugar da ilusão, fórmula para reafirmar a fé no lugar da decisão, fórmula até pra evitar o fracasso no lugar da ação.
Sinto falta da mágica que havia ao redor dos meus dias, dos melhores aos piores. Isso é se havia mágica mesmo, já que poderia ser mais uma sensação fraca demais em meio à realidade cruel que sempre me perseguiu. Mas, dúvidas de lado, se havia eu sinto falta, é isso. E aí eu me pergunto que magia seria essa, que encantamento eu sentia na vida que hoje não sinto mais. Essa magia tem nome mas, qual é? Não sei, poderia ser tanta coisa...Tanta coisa me fazia bem, fazia mágica propriamente dita com meu jeito de ser... Coisas que perdi pelo caminho. Coisas que se perderam pelo caminho. Coisas? Não, não posso chamar essas coisas de "coisas". E também não posso deixar de pensar no que é certo, tendo mágica ou não. Deveria ser mais "comum", eu acho. Pago um preço fodido por ser como eu sou mas, mesmo se pudesse evitar, continuaria pagando. Não me importo com o que gasto, me importo com o que me consome e, atualmente, nada me consome mais do que os meus erros, a minha vida infeliz, as minhas escolhas de bosta e a vontade conflitante de querer que tudo seja diferente. E por qual motivo há o conflito? Porque eu sou eu, simples. Não sei acordar e fingir que o dia pode ser bom, não sei trabalhar se o que faço é o que nunca quis fazer, não sei parar de faltar na faculdade, não sei sentar e fazer um trabalho se a minha vontade era de sumir, não sei olhar pro lado se quem me importa tá longe de mim em todos os sentidos e não sei dormir cedo ter uma boa noite de sono.
Talvez meus problemas não sejam problemas e sim prescrições sem fórmulas. E talvez as fórmulas estejam bem debaixo do meu nariz mas, estou esgotada demais pra ver e admitir solução para alguma coisa, mesmo sentindo que é possível, seja lá como for.

domingo, dezembro 5

Confusão.

Talvez seja apenas por diversão, amor e compulsividade, mas a verdade é que a vida, quando se torna a mesma todos os dias, faz de mim uma pessoa inquieta, cansativa. Preciso mudar os detalhes, e preciso também de uma agenda. Essa semana, conversando com um amigo sobre essas pequenas grandes coisas que estão me atormentando, compartilhei com ele a minha decisão firme de comprar uma agenda para o novo ano, o esperado 2011. Além disso, também virei adepta de listas, para ver se assim eu consigo completar etapas sem pular provas.
Confesso, quase que forçadamente, que pensei no passado, naquela faculdade que deixei para trás, naqueles amigos com quem não falo mais, naqueles feriados que passava sentada com o traseiro na cadeira. Algumas situações, como disse, me forçaram a isso. Não adianta, sempre que algo não te satisfaz por completo, você começa uma retrospectiva mental sobre seus melhores e piores momentos, procurando certo consolo naquilo que não mais é possível ser contestado.
Pensei, recordei, ri, resmunguei e voltei aos planos, esses corvos em forma de intenções. Bom, até que os planejamentos para os próximos dias são mais "reais" do que outros que já tenha feito, mas nada que me faça sorrir de orelha a orelha, ainda. Como o mesmo amigo que vai adotar o uso da agenda pra 2011 também disse, eu estou desestimulada. E, digo logo que isso não
é culpa dos "relacionamentos falidos", não é culpa dos corações que parti e/ou consertei e não é culpa das escolhas que tomei. Na verdade, a palavra que cabe nem é culpa (esse vocábulo me persegue, inclusive). A palavra certa é responsabilidade. E, não só a palavra como a ordem.
De uma forma bem estranha, eu perdi um pouco do rumo que deveria ter tomado e agora estou passando por um momento complicado, onde a minha cabeça não consegue se entender comigo (sim, são elementos diferentes). E, apesar de ser uma adulta, tudo que eu faço remete à minha adolescência, simplesmente porque eu me tornei uma pessoa compulsiva por diversão, esquecendo de uma série de coisas que estão na frente dela.

E o que resta, agora? Arrumar a casa antes que eu seja despejada por falta de pagamento.

segunda-feira, outubro 25

A selva

E então, como quem não queria nada, adentrei pela selva que destoava do brilho em meu olhar. Entrei por entrar, verdade seja dita. Meu pé esquerdo queria abrir mão daquele ambiente, enquanto o direito queria ficar, queria dar um largo passo. Mas, como disse, entrei por entrar.
As primeiras impressões foram embaladas por um som peculiar, talvez gritos, mas não lembro bem. Também despontou nos primeiros segundos um calor proveniente do clima árido, até que o mesmo deixou meus pés queimando, sem misérias. Tratei de correr para salvar o meu calço e o tempo já não cabia mais em soluções: queimei os pés. O esquerdo e o direito. O que desejava ir embora e o que desejava ficar. Com pés debilitados, a imparcialidade tomou conta do meu ser e eu fui guiada pela vontade de explorar e conhecer algo novo, diferente.
Tinha julgado tudo de forma abstrata, até que aquele lugar assentou-se na minha mente. Já não tinha medo de feras, já não me preocupava em me perder no caminho de volta, já não havia em mim um pingo sequer de racionalidade. Agi por instinto e desbravei a selva. Foi heróico de minha parte? Sim, bastante. O que não cabia na situação era o depois, era o "pós-selva". Não cabia e não cabe até agora.
Do que falo? Falo do esgotamento em enfrentar tais animais e precisar superar sufocos, como por exemplo um abismo de profundidade assustadora. Falo do desespero latente de notar-se tão pequena no meio de uma imensidão de mata virgem. Falo do desconforto que senti ao perceber que me achei no direito de invadir um lugar que não é meu, apenas com a intenção de saber como seria. Pouco depois, constatei: a curiosidade me levou onde eu queria e me traria novamente pro meu canto, meu refúgio.
Ficou claro para mim que não há paixão no instinto. Tudo que eu conheci naquele lugar tão verde transformou-se em cinza. Cinza esse que, agora sim, estava combinando com o brilho nos meus olhos, cansados de ver miragens. Olhando pra dentro, vi paixão em algo além de uma bela paisagem. E assim, mesmo que ainda seja apenas outro lugar para onde não fui levada, vi paixão no que realmente serve pra mim.

domingo, outubro 3

Quero meus pés na lama.

De vez em quando, sem me preocupar com o quanto, eu deveria encher a minha alma de amor. Não é algo que eu queira, apenas que eu precise, teoricamente. Não também que ele seja ausente, mas ainda sinto isso de uma forma muito diferente do que vejo por aí. As coisas estão normais, as pessoas sempre foram normais e as ruas são a única expressão de peculiaridade, talvez. Quando não saio da minha torre feita de agonia, transfiro tal sentimento para mim, para que meus poros fiquem entupidos com tanto desespero em forma de cansaço cotidiano. Dessa forma, eu faço dos cantos e dos tijolos o meu refúgio. Copos e líquidos também ajudam na tentativa de buscar um outro mundo, um outro lugar, um outro refúgio. São como um punhado de terra molhada onde eu enfio os pés e sinto o barro passar por entre os dedos. É algo que eu gosto de ver dentro de mim. É a minha alternativa plausível para não ter que dar o braço a torcer. Para quem? Para a estagnação que o mundo vende a preço de banana. Na contramão do que não presta, as músicas me dizem aquilo que eu preciso ouvir, de um jeito que a vida consegue apenas gritar. Eu odeio gritos, prefiro a sutileza de palavras ditas ao pé do ouvido. Há mensagens, sei disso, mas o entendimento acerca delas depende da forma como elas chegam até meus neurônios, isso é se eles são o destino propriamente dito. De repente, eu viajo demais, pode até ser. Mas, ainda acredito que essas coisas em série com as quais me deparo são pouco para mim e não sou tão estúpida para me contentar com pouco, mais uma vez.

segunda-feira, setembro 13

Nada não foi nada

Uma tarde diferente de um dia sem Sol e ela já não sabia mais o que poderia esperar. Olhou para algum ponto e cismou que queria fazer dele algo fixo. Olhou para si de fora pra dentro. Apenas olhou. E, como em uma linda história sem final feliz onde o vilão sai com a vitória nas mãos, ela entendeu que as coisas são como deveriam ser e sentiu-se até trêmula quando não mais pensou em problemas, apenas em soluções. A respiração era outra, talvez o coração também, mas ele estaria ocupado no futuro com coisas mais complexas do que meros impasses.
Depois que o ponto fixo perdeu a graça de ser o que era, ela continuou caminhando olhando pra baixo, como se precisasse apenas dos pés para seguir em frente, até que deparou-se com uma sombra. A sombra então, mais uns três passos adiante, ganhou a compania de um corpo. O corpo, por fim, ganhou trejeitos de um homem. Ela transferiu o olhar para o alto e diminuiu os passos, numa tentativa frustrada de não ser notada. Já era tarde: o dono da sombra apagada no chão já tinha visto aqueles passos temerosos. Contudo, devo dizer que ele não sentiu medo nem vontade de amedrontar. Já ela, se viu numa triste e confusa situação onde não sabia o que poderia fazer, além de cumprimentar o tal homem. Se ela já o conhecia? Sim, de antigos carnavais, passados em outras épocas onde o carnaval nem era o que é, provavelmente. Se ele entendeu isso? Vamos supor que sim, mas como se tudo ainda não estivesse claro na cabeça daquele indivíduo aleatório na historia, tão provavelmente quanto as épocas.
Após o cumprimento, trocaram olhares corriqueiros, como trocam duas pessoas que convivem sob o mesmo teto por conveniência. Assim, quando isso cessou e as coisas ficaram confusas para ambos, ela virou-se, passou as mãos nas maçãs do rosto e desejou existir algo que refletisse sua imagem, nem que fosse uma mera poça de água feita pela chuva dos dias anteriores. Não achou o que refletisse sua imagem, mas a viu através daquele homem, que estava tão apreensivo quanto ela.
Ainda sem palavras, algo aconteceu. Foi um toque, eu diria. Um suave toque de uma mão trêmula com uma outra mão serena. Não cabe a mim relacionar mãos aos donos, cabe a mim dizer o que se passou: nada. Aquele toque, aquela sedução, aquela magia nada significou. E isso espantou a ambos, visto que havia certa expectativa naquele gesto. Sem cogitar justificativa melhor, ela pensou que não sentiu nada porque não deveria sentir, enquanto ele nem pensou e apenas sentiu o nada que aquilo tudo passou. Mesmo com a decepção, veio um convite de continuar a caminhada e falar sobre os dias, não os que passaram, mas os que viriam. Ela sorriu quando ele falou algo sobre flores, decerto isso foi nostálgico. Ele continuou a falar, mas ainda estava intrigado com o tal "nada" de minutos antes.
Cruzaram um bosque, cruzaram uma estrada. Cruzaram uma cidade? Seria justo dizer que não, mas eu não faço idéia de onde eles poderiam ir. Em um breve momento, ela suspirou e tentou um outro toque de mãos, mas isso foi falho, visto que o rapaz estava segurando algo nas mãos. Sei que a pergunta que cabe gira em torno de saber o que ele segurava, mas eu não posso contar, não posso revelar segredos alheios. Então, voltemos aos dois, sem preocupações com um terceiro elemento, até porque o tal anulou-se quando ela, sem medo ou preocupação, tentou um novo toque para ver o que iria sentir. Dessa vez sentiu algo, de leve, delicadamente assustador. Não foi amor, não foi gentileza, não foi bondade, não foi afetuosidade. Sentiu algo que não conseguiu definir, mas isso a deixou feliz. E ele? O que sentiu? Bom, eu poderia dizer que ele sentiu o mesmo, mas isso não ficou claro. Tudo o que posso dizer é que ele sorriu quando a viu tentando.

segunda-feira, agosto 9

Análise- Pt 1.

Não é estranho constatar que vivo um impasse entre normais olhos castanhos e exóticos olhos roxos. Não entendeu? Não precisa, já tudo vai além de entendimento. O que cabe agora é saber para onde eu quero ir e para onde estou indo? Não, o que cabe agora é ir além do saber, além da informação absorvida. É pegar esse saber e jogar nos dias, na vida, no maldito cotidiano. O problema, grande problema é que, negar algo para alguém sempre foi muito dificil para minha cabeça que é solícita demais, prestativa demais, atenciosa demais. Tudo que é demais torna-se excedente. Isso está sobrando, não há dúvidas sobre. E, tampouco há certezas. Juro que não consigo encontrar essas danadas! É como se as tais certezas passassem por entre meus dedos e depois se perdessem em meio ao vento.
E, falando em vento, eu vou deixar que ele leve todo o lixo que dias passados me trouxeram. Tive ajudas importantes, de umas duas pessoas importantes, quase três, eu diria. Mas, acho mais justo considerar a primeira informação. Enfim, por conta desses "complementos", me encontro num ótimo estado emocional e bem mais centrada nos meus problemas, minhas "maçãs". Só que isso não tira de dentro de mim o demônio que clama por intensidade e maldade. Estou ruim e sinto isso, sei lá como.
Bom, e não procuro por absolutamente nada, apenas as coisas vão me achando, aos poucos. Talvez eu também esteja viabilizando os encontros tanto quanto viabilizo os desencontros, mas eu não queria pensar nisso agora. É bem mais interessante confabular com a minha cabeça e, ás vezes, com pessoas inteligentes, sobre os desapegos e apegos da vida- "confusões", talvez seja a palavra.
Eu deixei uma porta encostada que alguém vai empurrar, cedo ou tarde. Todos os dias essa porta chama minha atenção, todos os dias ela me convida a ser o que eu preciso ser, ignorando a necessidade aparente de que alguém precisa empurrá-la. Apenas saber que tal empurro acontecerá já está de bom tamanho. No mais, é engraçado: estou vivendo do jeito que eu queria ou do jeito que devo? Bom, não sei se quero a resposta para isso agora.

E há uma lista enorme de coisas que os dias ainda não providenciaram, enquanto há outra, tão grande quanto, de coisas das quais eu já não preciso me aproximar pra saber como são. Está tudo muito claro ou, pelo menos alguma coisa, está.

sábado, julho 24

Maçã;

Não é lá tão complicado: Imagino aquela coisa bem vermelha, com pequeninos pontos destoando da principal cor, enquanto apenas um filete a sustenta lá no alto, no alto da árvore, aquela árvore. Penso sempre: Até onde meus braços vão? O que me impede de alcançá-la? Em que implica chegar até ela? O que vai acontecer caso eu não a alcance? Maldita...! Por um momento chego a odiá-la. Por outro momento chego a desejá-la. Pela eternidade chego a te inviabilizar pra mim. Digo, mais uma vez: Maldita, é isso que você é!
Até então você não mais me incomoda, apenas me atenta, invade a minha paz e toma o espaço do meu sossego. Mas, ainda assim, penso em chegar até você. É um inferno- eu juro que é- olhar lá para o alto e me ver tão pequena, tão frágil, tão incapaz de simplesmente ir sem pensar em como vou tirar os pés do descanso. Não queria ser assim e alguma Força Maior deve saber disso. Mas, é assim que sou. Vejo algo além do seu rubro, vejo ambição em você. Vejo mais do que poderia ver, vejo mais do que sei ver: Vejo a minha mão, vejo o seu brilho nos meus olhos. Vejo tudo e ao mesmo tempo nada... Não dá! Eu não te alcanço.
E então, o que eu faço? Escolho outra coisa a fazer? Desisto de ti por não saber mais o que diabos eu quero de você? Não sei... Confesso que desanimo em momentos de reflexão e me animo quando cogito deixar tudo pra lá. Mesmo assim, a melhor alternativa é a mais notória possível: Tal qual um arquiteto quando que está por planejar uma casa, estarei eu a planejar como chegar até você. Mas, só planejar não é o caminho, já sei disso... Raios! Falei como apenas saber bastasse para alguma coisa... Não é por aí... E, também não é por aqui! Não é?
Pois é, sempre fui refém da diversidade, das alternativas. Me sinto uma eterna apaixonada pelo livre arbítrio, já que ele me permite pensar além do "sim" e do "não". O problema é que esse romance não me deixa ir adiante. É um amor proibido entre uma pessoa diferente e uma cabeça diferente. Mas, o que importa o "adiante", se ambos querem a mesma coisa? Geralmente dois amantes conseguem querer, pelo menos, alguma coisa em comum. E esses dois amantes querem a maçã. Pena que não sabem trabalhar juntos em prol de tal relíquia, preciosidade.
Ah, maçãs! Karmas da minha vida, confusões que minha própria cabeça insana cria quando não aguenta mais viver entediada com a normalidade. Gosto dos meus problemas, gosto das minhas maçãs, gosto dos riscos. Não entendo então por qual motivo me coloco tanto a pensar, refletir, ponderar. Seria mais justo não ser assim? Ou então, o que seria, de fato, justo? Convencer a mim mesma de que não preciso sistematizar tudo? E eu sei que a maçã está bem perto de mim, dá até pra sentir o gosto dela num sonho bom, mas eu não sei o que virá depois. Me apavora pensar que uma atitude, uma maçã caída da árvore, pode custar algo bem maior do que minha fome. Entro em pânico a cada vez que sinto passar por entre meus nervos tudo que poderia acontecer, uma vez que eu conseguisse chegar até ela. Me recuso a considerar que um dia vou conseguir pegá-la, seria prepotência demais da minha parte. Então, deixa tudo como está: eu fico a te olhar estrategicamente, como se você fosse o que há de mais diferente, indo além de um mero problema que os dias me trouxeram . Não, não sei chegar até você, não sei te consumir, não sei te dividir por dentro de mim. : Apenas sei que você está ali e eu estou aqui.

terça-feira, julho 6

Não quero!

E não quero mesmo!

Como já andei dizendo no desabafo "tweetítico" (sim, inventei esse vocábulo agora), não é por falta de respeito ou credibilidade na crença em si e tudo que ela envolve, mas eu não considero interessante já há algum tempo ficar sabendo de várias coisas por outras vias, outros caminhos. Por vários momentos na minha vida eu fiquei ciente de coisas e nem por isso fui poupada de vivê-las. Pensei que isso fosse culpa minha, das minhas escolhas. Pensei certo, em partes. Não posso atribuir a mim mesma tudo de ruim que eu passei, sendo que eu não quis tais coisas. Não seria justo com a minha vontade sempre latente de ser feliz. Não seria justo nem mesmo com quem quer me fazer feliz, não importando quem seja, somente a intenção de tais pessoas.

Quando fico sabendo dessas coisas eu sinto como se não tivesse nenhum controle sobre a minha própria vida e tudo não passasse de um filme que alguém já rodou. Isso me deixa sob uma ira sem igual. Eu não quero, outra porra de vez, saber de coisas das quais o melhor seria exatamente não saber nada, absolutamente nada. Tudo deve ficar por conta dos dias, da minha percepção, da minha vivência. Nada de "avisos prévios" em forma de alerta. Em 22 anos repletos de fiascos, de boas e más experiências, creio eu que já sei direcionar minha vida de forma prática e eficaz pra mim. PRA MIM.

Entendo hoje que viver pelos outros não deve ser levado ao extremo como eu sempre levei. Senti bem mais falta de mim do que de qualquer outra pessoa. Hoje que estou me reencontrando, hoje que me reconheço dentro do que estou sendo, seria o fim da picada precisar considerar situações que o outro me aponta como se tivesse vivido tudo que vivi. Não, ninguém passou por sequer 1% do que eu já passei. Saber o que passei é vago, MUITO vago. Qualquer um precisaria bem mais do que saber para, de fato, fazer com que eu me sentisse cômoda ao falar dos meus rumos, do que ando fazendo da minha vida ou, pior, do que será da minha vida. Assim, me sinto outra coisa: me sinto INCOMODADA.

Me privar de todo o lixo pelo qual tive que passar ninguém me privou, oras! Entendo que até precisei passar por algumas coisas, mas outras foram totalmente desnecessárias e todo mundo sabe disso. No final das contas é necessário apenas que as coisas parem de ser como estão sendo. Eu não preciso de esclarecimentos sobre o futuro, nem sobre o presente e muito menos, MUITO MENOS sobre o passado. O que é extremamente necessário é que eu consiga, como qualquer ser humano consegue, passar pelos dias sem saber o que virá pela frente. Gosto de correr riscos, gosto de não fazer idéia de como vai ser a minha tarde, gosto da sensação que o final de semana me traz sem maiores exigências, gosto de levar um tombo na rua de forma inesperada, gosto de falar besteiras sem ter nada pré- conceituado em mente. Gosto de ser normal, de ter uma vida normal, de fazer coisas normais. O extraordinário deixou de ser sedutor pra mim e se tornou um tormento. Contudo, a partir de hoje, é um tormento com dias contados, assim espero e assim confio.

quarta-feira, junho 30

O caminho.

Não esperava nada diferente de mim, mas foi o que veio. A sensação era de que não havia mais utilidade em tentar. A sensação não era uma simples sensação. E há coisas que mexem comigo mais do que eu imaginava. Não me espanta a ignorância alheia, não me apavora a frieza do homem, não me encanta o comum. O que realmente dá enfase aos meus dias é o que eu não espero, é o que surge abruptamente.
Hoje mesmo conversava com alguém sobre as coisas que aconteceram e acontecem ao meu redor: fiz comparações. Nada está tão embaçado como já esteve em outras épocas. Me peguei rindo sozinha da vida, do acaso, do passado. Começo a pensar, confabular com minha própria cabeça sobre quase tudo que chama minha atenção. Sou privilegiada? Talvez seja algo além disso, totalmente fora do maldito meio-termo. Não há mais meias-verdades nos dias, não há mais situações pendentes, não há mais linhas infinitas. Tudo que existe é a ação, é o verbo na sua forma mais completa e refinada.
Tudo é diferente: as músicas me soam melhor, os dias são mais agradáveis, as coisas são mais tangíveis e a minha cabeça é uma só. Volto a me socializar e até a passar por situações patéticas que já passei outrora. A comida desce sem dificuldade, isso também é bem interessante. Assim como o meu corpo já sente os efeitos de uma vida mais tranquila, apesar de ser sobrecarregada e agitada, totalmente ao contrário do que tinha planejado. É... anoto agora uma boa lição desse capítulo: Nunca planeje absolutamente nada e seja madura o bastante para encarar os dias sem a preocupação de idealizar as coisas. Lição anotada, lição aprendida.
...Me libertei! Deixei de ser aquele maldito vegetal fantasiado de Marcele que ficou por dias se alimentando de uma luz negra. Abandonei aquela faceta insuportável de quem tinha medo de tudo, mesmo quando o medo não era nada. Estou mais viva e fico muito feliz quando sinto o vento passar por entre meus dedos. Não deixaria que qualquer coisa passasse desapercebida agora. Não deixaria e não deixo. Mais do que nunca, eu observo. Talvez de tanto ver "House" acabei por treinar mais ainda essa minha aptidão. E talvez por ter passado por tanta coisa, resolvi ignorar os meus tropeços por ser uma pessoa bacana demais, já que eu nunca vou deixar de ser bacana e isso todo mundo sabe. Nem quando, por ventura, eu quiser.

segunda-feira, junho 7

Anagrama.

Bom, o Google me diz que:
Um anagrama (do grego ana = "voltar" ou "repetir" + graphein = "escrever") é uma espécie de jogo de palavras, resultando do rearranjo das letras de uma palavra ou frase para produzir outras palavras, utilizando todas as letras originais exatamente uma vez.

E a minha vida se tornou um Anagrama, não só de palavras mas também de gestos, cenas, ocasiões, fatos. Não me espanto, não me desespero: as coisas estão sendo como deveriam ser. Como disse mais cedo pra um amigo novo e um das antigas, é como se alguma força exterior tivesse conspirado a meu favor, a fim de me dar uma nova oportunidade, partindo de onde eu parei. Os principais pontos surgem na minha frente novamente, enquanto os menos importantes estão sendo aparados pelo tempo.
Não sei explicar ao certo o que houve comigo ou qual composto químico reagiu dentro de mim. Ás vezes, penso que tudo poderia ser diferente, mas sempre no sentido ruim da coisa. Aquilo que eu não consegui já não povoa a minha cabeça. A questão agora é o bendito anagrama. A questão agora são os vários sinais que recebo a todo tempo, mesmo quando não quero. A questão agora é, enquanto esse coração surrado bater, buscar o que mereço, juntando pedaço por pedaço de uma vida que se tornou uma charada.

segunda-feira, maio 24

Subentendido

Você não sabe o que é. Você talvez nem entenda o que seja. Mas, eu entendo. Entendo e vejo além do que alguém veria. Não tenho medo, não tenho coragem. Fico no meio termo? Talvez seja o meio-termo? Até que me provem o contrário, não há regras, não há padrão. Observar nunca foi tão fabuloso. Tenho um problema, encontro a solução. Mais fácil do que tirar o amargo da boca do homem. Se é prático, de onde surge o obstáculo? Da minha cabeça, eu diria. De pronto atendimento, de pleno passatempo. É o relógio da própria máquina a pulsar sem parar. Se eu posso, não sei. Se eu tento, tentei. Chega a hora marcada, o dia contado, a cena cortada. Videotape da sala de cinema privada. Mandaria rodar todos os filmes se preciso fosse. É audácia, é bobagem pensar nas coisas que são apenas coisas. Seria melhor viver sem isso. E se as mudanças pedissem passagem? O que você faria? Se desesperaria? Sorriria? Velha tentativa nova de ludibriar. Eu vou, eu fui, eu irei. Até onde posso, até onde queria, até onde vou. Não sabe? Não saberia? Não sabia? Não sei.

segunda-feira, maio 10

Não mais.

Estranhamente, eu não queria fazer isso. Não queria me dar ao trabalho de escrever sobre algo que, pra variar, aconteceu. A vontade surgiu com ares de conselho, vindo de um "sábio oráculo". E assim, apareceu, se instaurou e aqui estou eu, dando forma ao meu alívio ou boa parte dele.


Bom, foi como numa reprise de "Sessão da Tarde", onde você vira a cara ao ver que passará "A Lagoa Azul" e sempre comenta mentalmente e/ou oralmente : -Outra vez esse filme? A Globo não tem o que passar, não? ...Pois bem, dentro da situação, eu sou a Globo. Plin...plin. Enquanto alguns me recomendaram o habitual, que seria ignorar a situação, preparar-se para novas e seguir adiante, o "oráculo" ditou as regras de forma diferente: "Não dá pra superar nada guardando as coisas para si". Bom, faz sentido mas, é muito difícil entender as coisas quando tudo que você gostaria de fazer era voltar no tempo, nada mais. E, como não dá pra fazer isso, não dá para voltar no tempo e consertar tudo que eu mesma causei, então o jeito é encarar tudo de frente, sem medo de estar sendo egoísta demais, sem medo de recompor-se, não ao que era, mas ao que sempre quis ser. Esqueci, quase que completamente, das minhas ambições. Me preocupei bem mais com o outro do que comigo. Reciprocidade nisso? Nenhuma, mas isso é um detalhe. Até porque, uma vez retomada as idéias de antes, as velhas não mais retornarão á minha cabeça. Não é complicado lidar com o fracasso mas, na situação em questão, foi deveras necessário. Necessidade: palavra bonita, não?

Não escrevo como uma sanguinária em busca de vingança. Sou vingativa mas, nesse caso isso também está sendo diferente, o que é bem atípico. Escrevo como alguém que apesar de ser a personagem principal nessa tragédia grega, acredita que uma análise de caso é simplesmente formidável. E é o que estou fazendo, entre um devaneio e outro, entre um passo e outro, entre um lamento e outro, entre uma risada e outra. Claro que há coisas que não são passíveis de mudança mas, a maioria delas são, sempre foram. Mas, foi como falei, eu não quero lamentar absolutamente nada. Não será como das outras vezes, onde o meu desespero me dava impulso para persistir no erro. Acertar era tão simples, mas tão simples. Bem mais até do que errar, por mais humana que essa história seja. E é por saber disso que me mantenho tão centrada no momento, não importa o que eu esteja fazendo para o tal.

domingo, abril 25

Eu (des) espero

Não é fácil, nunca foi. Estou cansada, ninguém sabe o que passa dentro de mim, nem mesmo quem faz parte do que eu sou. De depressão ao tumor, já tive de tudo, só faltando um aspasmo definitivo. Mas, a força maior que rege todo mundo ainda acha conveniente me deixar por aqui mais um tempinho. O problema é que, ás vezes, a minha vontade é ir contra isso. Ir contra forças, ou até mesmo contra vontades. Outras vontades. Só outras.
Pensei em tanta coisa nas últimas 24 horas. Há tanta podridão na minha cabeça, tanta sujeira. Não me sinto bem com isso, é claro. Porém, como limpar um local de acesso tão difícil como minha cabeça? Como ignorar o quanto é confusa essa "caixa" composta por crânio, cérebro, nervos e glândulas e que não sabe ao certo o que seguir, o que buscar? Ou será que o problema é mesmo a pobre da minha cabeça ao invés do meu sofrido coração?
Oras, coração é só um órgão que pulsa sangue, está comprovado cientificamente que o emocional está ligado ao sistema nervoso, não a ele. Logo, não há motivo pra envolver o coração nisso, a verdade é essa. Só que, algo fica no ar: se ele não tem nada a ver com isso, porque meu peito dói?
Vai saber...
Pois é, saber é uma palavra que pouco se encaixa à minha realidade. Não me sinto tão sábia como já me senti em outras épocas, não me sinto fabulosa, não me sinto. Me sinto sensível, fragilizada e, principalmente, uma carrasca. E por quê o "carrasca" entrou no meio? Porque não sei abrir mão do desejo de um "happy end", mesmo sabendo que há tanta gente descontente no meio da história. Não sei deixar falar mais alto a racionalidade, mesmo que já tenha tentado. Não sei considerar as soluções que vão me deixar na merda mas, são as corretas. Não sei perder para outros ganharem. Não sei, dessa vez.
E, pra isso sim, há culpados: minha esperança, meus sonhos e o meu amor. Principalmente o meu amor. Essa minha capacidade absurda, que beira o admirável, de cativar as pessoas de tal forma que sobra pouco para meu lado racional. Quando amo, esqueço da tirana que posso ser. Esqueço da vida fútil ao meu redor. Esqueço da idade que tenho e das coisas que poderia viver. Esqueço do que meu corpo precisa. Esqueço das minhas limitações. Esqueço do que os dias me apresentam. Esqueço do óbvio, parto para o improvável.
Não, eu não me arrependo e o único medo não é de recuar e sim de avançar para recuar novamente. Sei que não tenho tudo sob controle, a começar por uma vida totalmente feliz mas, não sou infeliz. Os infelizes não se preocupam com a ausência de felicidade em suas vidas, somente com a ausência de felicidade na vida alheia. Contudo, não posso negar que, ás vezes, me sinto covarde em meio a eles, aos infelizes. Me desesperam em atitudes e palavras mas, ainda não me fizeram correr, não me fizeram parar de esperar. Esperar mais.

segunda-feira, março 22

Fórmulas

Seria bom se as fórmulas não se resumissem à perfume, sabão em pó, xampu, tecnologia e por aí vai. A vida podia ter fórmulas, não no sentido figurado mas no sentido real. Fórmulas de verdade e que aplicadas ás situações, surtiriam o efeito que a gente desejasse no momento. Como pensei nisso? Hoje, tomando banho, estava lendo o rótulo do condicionador e li sobre isso de fórmula. Aí me dei conta de que, quase tudo nessa vida vem pautado nas tais fórmulas. Fiquei pensativa, depois cantei uma música qualquer e, por fim, me emputeci com a idéia de que há fórmula pra tudo, menos para a solução dos meus problemas.
Seria tão prático, seria lindo, seria tudo! Não ia precisar mais buscar soluções ao mesmo tempo em que travo uma batalha fodida com os meus limites. Não seria mais necessário entrar em desespero, era só usar a fórmula e pronto, fim de papo. Fórmula pra amenizar dor de cabeça no lugar do remédio, fórmula pra amenizar sofrimento no lugar da punição, fórmula para amenizar a culpa no lugar da dor, fórmula para acabar com aquele sentimento de solidão no lugar da ilusão, fórmula para reafirmar a fé no lugar da decisão, fórmula até pra evitar o fracasso no lugar da ação.
Sinto falta da mágica que havia ao redor dos meus dias, dos melhores aos piores. Isso é se havia mágica mesmo, já que poderia ser mais uma sensação fraca demais em meio à realidade cruel que sempre me perseguiu. Mas, dúvidas de lado, se havia eu sinto falta, é isso. E aí eu me pergunto que magia seria essa, que encantamento eu sentia na vida que hoje não sinto mais. Essa magia tem nome mas, qual é? Não sei, poderia ser tanta coisa...Tanta coisa me fazia bem, fazia mágica propriamente dita com meu jeito de ser... Coisas que perdi pelo caminho. Coisas que se perderam pelo caminho. Coisas? Não, não posso chamar essas coisas de "coisas". E também não posso deixar de pensar no que é certo, tendo mágica ou não. Deveria ser mais "comum", eu acho. Pago um preço fodido por ser como eu sou mas, mesmo se pudesse evitar, continuaria pagando. Não me importo com o que gasto, me importo com o que me consome e, atualmente, nada me consome mais do que os meus erros, a minha vida infeliz, as minhas escolhas de bosta e a vontade conflitante de querer que tudo seja diferente. E por qual motivo há o conflito? Porque eu sou eu, simples. Não sei acordar e fingir que o dia pode ser bom, não sei trabalhar se o que faço é o que nunca quis fazer, não sei parar de faltar na faculdade, não sei sentar e fazer um trabalho se a minha vontade era de sumir, não sei olhar pro lado se quem me importa tá longe de mim em todos os sentidos e não sei dormir cedo ter uma boa noite de sono.
Talvez meus problemas não sejam problemas e sim prescrições sem fórmulas. E talvez as fórmulas estejam bem debaixo do meu nariz mas, estou esgotada demais pra ver e admitir solução para alguma coisa, mesmo sentindo que é possível, seja lá como for.