segunda-feira, outubro 25

A selva

E então, como quem não queria nada, adentrei pela selva que destoava do brilho em meu olhar. Entrei por entrar, verdade seja dita. Meu pé esquerdo queria abrir mão daquele ambiente, enquanto o direito queria ficar, queria dar um largo passo. Mas, como disse, entrei por entrar.
As primeiras impressões foram embaladas por um som peculiar, talvez gritos, mas não lembro bem. Também despontou nos primeiros segundos um calor proveniente do clima árido, até que o mesmo deixou meus pés queimando, sem misérias. Tratei de correr para salvar o meu calço e o tempo já não cabia mais em soluções: queimei os pés. O esquerdo e o direito. O que desejava ir embora e o que desejava ficar. Com pés debilitados, a imparcialidade tomou conta do meu ser e eu fui guiada pela vontade de explorar e conhecer algo novo, diferente.
Tinha julgado tudo de forma abstrata, até que aquele lugar assentou-se na minha mente. Já não tinha medo de feras, já não me preocupava em me perder no caminho de volta, já não havia em mim um pingo sequer de racionalidade. Agi por instinto e desbravei a selva. Foi heróico de minha parte? Sim, bastante. O que não cabia na situação era o depois, era o "pós-selva". Não cabia e não cabe até agora.
Do que falo? Falo do esgotamento em enfrentar tais animais e precisar superar sufocos, como por exemplo um abismo de profundidade assustadora. Falo do desespero latente de notar-se tão pequena no meio de uma imensidão de mata virgem. Falo do desconforto que senti ao perceber que me achei no direito de invadir um lugar que não é meu, apenas com a intenção de saber como seria. Pouco depois, constatei: a curiosidade me levou onde eu queria e me traria novamente pro meu canto, meu refúgio.
Ficou claro para mim que não há paixão no instinto. Tudo que eu conheci naquele lugar tão verde transformou-se em cinza. Cinza esse que, agora sim, estava combinando com o brilho nos meus olhos, cansados de ver miragens. Olhando pra dentro, vi paixão em algo além de uma bela paisagem. E assim, mesmo que ainda seja apenas outro lugar para onde não fui levada, vi paixão no que realmente serve pra mim.

domingo, outubro 3

Quero meus pés na lama.

De vez em quando, sem me preocupar com o quanto, eu deveria encher a minha alma de amor. Não é algo que eu queira, apenas que eu precise, teoricamente. Não também que ele seja ausente, mas ainda sinto isso de uma forma muito diferente do que vejo por aí. As coisas estão normais, as pessoas sempre foram normais e as ruas são a única expressão de peculiaridade, talvez. Quando não saio da minha torre feita de agonia, transfiro tal sentimento para mim, para que meus poros fiquem entupidos com tanto desespero em forma de cansaço cotidiano. Dessa forma, eu faço dos cantos e dos tijolos o meu refúgio. Copos e líquidos também ajudam na tentativa de buscar um outro mundo, um outro lugar, um outro refúgio. São como um punhado de terra molhada onde eu enfio os pés e sinto o barro passar por entre os dedos. É algo que eu gosto de ver dentro de mim. É a minha alternativa plausível para não ter que dar o braço a torcer. Para quem? Para a estagnação que o mundo vende a preço de banana. Na contramão do que não presta, as músicas me dizem aquilo que eu preciso ouvir, de um jeito que a vida consegue apenas gritar. Eu odeio gritos, prefiro a sutileza de palavras ditas ao pé do ouvido. Há mensagens, sei disso, mas o entendimento acerca delas depende da forma como elas chegam até meus neurônios, isso é se eles são o destino propriamente dito. De repente, eu viajo demais, pode até ser. Mas, ainda acredito que essas coisas em série com as quais me deparo são pouco para mim e não sou tão estúpida para me contentar com pouco, mais uma vez.

segunda-feira, outubro 25

A selva

E então, como quem não queria nada, adentrei pela selva que destoava do brilho em meu olhar. Entrei por entrar, verdade seja dita. Meu pé esquerdo queria abrir mão daquele ambiente, enquanto o direito queria ficar, queria dar um largo passo. Mas, como disse, entrei por entrar.
As primeiras impressões foram embaladas por um som peculiar, talvez gritos, mas não lembro bem. Também despontou nos primeiros segundos um calor proveniente do clima árido, até que o mesmo deixou meus pés queimando, sem misérias. Tratei de correr para salvar o meu calço e o tempo já não cabia mais em soluções: queimei os pés. O esquerdo e o direito. O que desejava ir embora e o que desejava ficar. Com pés debilitados, a imparcialidade tomou conta do meu ser e eu fui guiada pela vontade de explorar e conhecer algo novo, diferente.
Tinha julgado tudo de forma abstrata, até que aquele lugar assentou-se na minha mente. Já não tinha medo de feras, já não me preocupava em me perder no caminho de volta, já não havia em mim um pingo sequer de racionalidade. Agi por instinto e desbravei a selva. Foi heróico de minha parte? Sim, bastante. O que não cabia na situação era o depois, era o "pós-selva". Não cabia e não cabe até agora.
Do que falo? Falo do esgotamento em enfrentar tais animais e precisar superar sufocos, como por exemplo um abismo de profundidade assustadora. Falo do desespero latente de notar-se tão pequena no meio de uma imensidão de mata virgem. Falo do desconforto que senti ao perceber que me achei no direito de invadir um lugar que não é meu, apenas com a intenção de saber como seria. Pouco depois, constatei: a curiosidade me levou onde eu queria e me traria novamente pro meu canto, meu refúgio.
Ficou claro para mim que não há paixão no instinto. Tudo que eu conheci naquele lugar tão verde transformou-se em cinza. Cinza esse que, agora sim, estava combinando com o brilho nos meus olhos, cansados de ver miragens. Olhando pra dentro, vi paixão em algo além de uma bela paisagem. E assim, mesmo que ainda seja apenas outro lugar para onde não fui levada, vi paixão no que realmente serve pra mim.

domingo, outubro 3

Quero meus pés na lama.

De vez em quando, sem me preocupar com o quanto, eu deveria encher a minha alma de amor. Não é algo que eu queira, apenas que eu precise, teoricamente. Não também que ele seja ausente, mas ainda sinto isso de uma forma muito diferente do que vejo por aí. As coisas estão normais, as pessoas sempre foram normais e as ruas são a única expressão de peculiaridade, talvez. Quando não saio da minha torre feita de agonia, transfiro tal sentimento para mim, para que meus poros fiquem entupidos com tanto desespero em forma de cansaço cotidiano. Dessa forma, eu faço dos cantos e dos tijolos o meu refúgio. Copos e líquidos também ajudam na tentativa de buscar um outro mundo, um outro lugar, um outro refúgio. São como um punhado de terra molhada onde eu enfio os pés e sinto o barro passar por entre os dedos. É algo que eu gosto de ver dentro de mim. É a minha alternativa plausível para não ter que dar o braço a torcer. Para quem? Para a estagnação que o mundo vende a preço de banana. Na contramão do que não presta, as músicas me dizem aquilo que eu preciso ouvir, de um jeito que a vida consegue apenas gritar. Eu odeio gritos, prefiro a sutileza de palavras ditas ao pé do ouvido. Há mensagens, sei disso, mas o entendimento acerca delas depende da forma como elas chegam até meus neurônios, isso é se eles são o destino propriamente dito. De repente, eu viajo demais, pode até ser. Mas, ainda acredito que essas coisas em série com as quais me deparo são pouco para mim e não sou tão estúpida para me contentar com pouco, mais uma vez.