Não é fácil, nunca foi. Estou cansada, ninguém sabe o que passa dentro de mim, nem mesmo quem faz parte do que eu sou. De depressão ao tumor, já tive de tudo, só faltando um aspasmo definitivo. Mas, a força maior que rege todo mundo ainda acha conveniente me deixar por aqui mais um tempinho. O problema é que, ás vezes, a minha vontade é ir contra isso. Ir contra forças, ou até mesmo contra vontades. Outras vontades. Só outras.
Pensei em tanta coisa nas últimas 24 horas. Há tanta podridão na minha cabeça, tanta sujeira. Não me sinto bem com isso, é claro. Porém, como limpar um local de acesso tão difícil como minha cabeça? Como ignorar o quanto é confusa essa "caixa" composta por crânio, cérebro, nervos e glândulas e que não sabe ao certo o que seguir, o que buscar? Ou será que o problema é mesmo a pobre da minha cabeça ao invés do meu sofrido coração?
Oras, coração é só um órgão que pulsa sangue, está comprovado cientificamente que o emocional está ligado ao sistema nervoso, não a ele. Logo, não há motivo pra envolver o coração nisso, a verdade é essa. Só que, algo fica no ar: se ele não tem nada a ver com isso, porque meu peito dói?
Vai saber...
Oras, coração é só um órgão que pulsa sangue, está comprovado cientificamente que o emocional está ligado ao sistema nervoso, não a ele. Logo, não há motivo pra envolver o coração nisso, a verdade é essa. Só que, algo fica no ar: se ele não tem nada a ver com isso, porque meu peito dói?
Vai saber...
Pois é, saber é uma palavra que pouco se encaixa à minha realidade. Não me sinto tão sábia como já me senti em outras épocas, não me sinto fabulosa, não me sinto. Me sinto sensível, fragilizada e, principalmente, uma carrasca. E por quê o "carrasca" entrou no meio? Porque não sei abrir mão do desejo de um "happy end", mesmo sabendo que há tanta gente descontente no meio da história. Não sei deixar falar mais alto a racionalidade, mesmo que já tenha tentado. Não sei considerar as soluções que vão me deixar na merda mas, são as corretas. Não sei perder para outros ganharem. Não sei, dessa vez.
E, pra isso sim, há culpados: minha esperança, meus sonhos e o meu amor. Principalmente o meu amor. Essa minha capacidade absurda, que beira o admirável, de cativar as pessoas de tal forma que sobra pouco para meu lado racional. Quando amo, esqueço da tirana que posso ser. Esqueço da vida fútil ao meu redor. Esqueço da idade que tenho e das coisas que poderia viver. Esqueço do que meu corpo precisa. Esqueço das minhas limitações. Esqueço do que os dias me apresentam. Esqueço do óbvio, parto para o improvável.
E, pra isso sim, há culpados: minha esperança, meus sonhos e o meu amor. Principalmente o meu amor. Essa minha capacidade absurda, que beira o admirável, de cativar as pessoas de tal forma que sobra pouco para meu lado racional. Quando amo, esqueço da tirana que posso ser. Esqueço da vida fútil ao meu redor. Esqueço da idade que tenho e das coisas que poderia viver. Esqueço do que meu corpo precisa. Esqueço das minhas limitações. Esqueço do que os dias me apresentam. Esqueço do óbvio, parto para o improvável.
Não, eu não me arrependo e o único medo não é de recuar e sim de avançar para recuar novamente. Sei que não tenho tudo sob controle, a começar por uma vida totalmente feliz mas, não sou infeliz. Os infelizes não se preocupam com a ausência de felicidade em suas vidas, somente com a ausência de felicidade na vida alheia. Contudo, não posso negar que, ás vezes, me sinto covarde em meio a eles, aos infelizes. Me desesperam em atitudes e palavras mas, ainda não me fizeram correr, não me fizeram parar de esperar. Esperar mais.