E então, como quem não queria nada, adentrei pela selva que destoava do brilho em meu olhar. Entrei por entrar, verdade seja dita. Meu pé esquerdo queria abrir mão daquele ambiente, enquanto o direito queria ficar, queria dar um largo passo. Mas, como disse, entrei por entrar.
As primeiras impressões foram embaladas por um som peculiar, talvez gritos, mas não lembro bem. Também despontou nos primeiros segundos um calor proveniente do clima árido, até que o mesmo deixou meus pés queimando, sem misérias. Tratei de correr para salvar o meu calço e o tempo já não cabia mais em soluções: queimei os pés. O esquerdo e o direito. O que desejava ir embora e o que desejava ficar. Com pés debilitados, a imparcialidade tomou conta do meu ser e eu fui guiada pela vontade de explorar e conhecer algo novo, diferente.
Tinha julgado tudo de forma abstrata, até que aquele lugar assentou-se na minha mente. Já não tinha medo de feras, já não me preocupava em me perder no caminho de volta, já não havia em mim um pingo sequer de racionalidade. Agi por instinto e desbravei a selva. Foi heróico de minha parte? Sim, bastante. O que não cabia na situação era o depois, era o "pós-selva". Não cabia e não cabe até agora.
Do que falo? Falo do esgotamento em enfrentar tais animais e precisar superar sufocos, como por exemplo um abismo de profundidade assustadora. Falo do desespero latente de notar-se tão pequena no meio de uma imensidão de mata virgem. Falo do desconforto que senti ao perceber que me achei no direito de invadir um lugar que não é meu, apenas com a intenção de saber como seria. Pouco depois, constatei: a curiosidade me levou onde eu queria e me traria novamente pro meu canto, meu refúgio.
Ficou claro para mim que não há paixão no instinto. Tudo que eu conheci naquele lugar tão verde transformou-se em cinza. Cinza esse que, agora sim, estava combinando com o brilho nos meus olhos, cansados de ver miragens. Olhando pra dentro, vi paixão em algo além de uma bela paisagem. E assim, mesmo que ainda seja apenas outro lugar para onde não fui levada, vi paixão no que realmente serve pra mim.
segunda-feira, outubro 25
segunda-feira, outubro 25
A selva
E então, como quem não queria nada, adentrei pela selva que destoava do brilho em meu olhar. Entrei por entrar, verdade seja dita. Meu pé esquerdo queria abrir mão daquele ambiente, enquanto o direito queria ficar, queria dar um largo passo. Mas, como disse, entrei por entrar.
As primeiras impressões foram embaladas por um som peculiar, talvez gritos, mas não lembro bem. Também despontou nos primeiros segundos um calor proveniente do clima árido, até que o mesmo deixou meus pés queimando, sem misérias. Tratei de correr para salvar o meu calço e o tempo já não cabia mais em soluções: queimei os pés. O esquerdo e o direito. O que desejava ir embora e o que desejava ficar. Com pés debilitados, a imparcialidade tomou conta do meu ser e eu fui guiada pela vontade de explorar e conhecer algo novo, diferente.
Tinha julgado tudo de forma abstrata, até que aquele lugar assentou-se na minha mente. Já não tinha medo de feras, já não me preocupava em me perder no caminho de volta, já não havia em mim um pingo sequer de racionalidade. Agi por instinto e desbravei a selva. Foi heróico de minha parte? Sim, bastante. O que não cabia na situação era o depois, era o "pós-selva". Não cabia e não cabe até agora.
Do que falo? Falo do esgotamento em enfrentar tais animais e precisar superar sufocos, como por exemplo um abismo de profundidade assustadora. Falo do desespero latente de notar-se tão pequena no meio de uma imensidão de mata virgem. Falo do desconforto que senti ao perceber que me achei no direito de invadir um lugar que não é meu, apenas com a intenção de saber como seria. Pouco depois, constatei: a curiosidade me levou onde eu queria e me traria novamente pro meu canto, meu refúgio.
Ficou claro para mim que não há paixão no instinto. Tudo que eu conheci naquele lugar tão verde transformou-se em cinza. Cinza esse que, agora sim, estava combinando com o brilho nos meus olhos, cansados de ver miragens. Olhando pra dentro, vi paixão em algo além de uma bela paisagem. E assim, mesmo que ainda seja apenas outro lugar para onde não fui levada, vi paixão no que realmente serve pra mim.
As primeiras impressões foram embaladas por um som peculiar, talvez gritos, mas não lembro bem. Também despontou nos primeiros segundos um calor proveniente do clima árido, até que o mesmo deixou meus pés queimando, sem misérias. Tratei de correr para salvar o meu calço e o tempo já não cabia mais em soluções: queimei os pés. O esquerdo e o direito. O que desejava ir embora e o que desejava ficar. Com pés debilitados, a imparcialidade tomou conta do meu ser e eu fui guiada pela vontade de explorar e conhecer algo novo, diferente.
Tinha julgado tudo de forma abstrata, até que aquele lugar assentou-se na minha mente. Já não tinha medo de feras, já não me preocupava em me perder no caminho de volta, já não havia em mim um pingo sequer de racionalidade. Agi por instinto e desbravei a selva. Foi heróico de minha parte? Sim, bastante. O que não cabia na situação era o depois, era o "pós-selva". Não cabia e não cabe até agora.
Do que falo? Falo do esgotamento em enfrentar tais animais e precisar superar sufocos, como por exemplo um abismo de profundidade assustadora. Falo do desespero latente de notar-se tão pequena no meio de uma imensidão de mata virgem. Falo do desconforto que senti ao perceber que me achei no direito de invadir um lugar que não é meu, apenas com a intenção de saber como seria. Pouco depois, constatei: a curiosidade me levou onde eu queria e me traria novamente pro meu canto, meu refúgio.
Ficou claro para mim que não há paixão no instinto. Tudo que eu conheci naquele lugar tão verde transformou-se em cinza. Cinza esse que, agora sim, estava combinando com o brilho nos meus olhos, cansados de ver miragens. Olhando pra dentro, vi paixão em algo além de uma bela paisagem. E assim, mesmo que ainda seja apenas outro lugar para onde não fui levada, vi paixão no que realmente serve pra mim.